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A menina das canecas!

 

Aquela doce e pequena menina de nome Laura, tinha duas paixões nesta vida. Fotos e canecas. Não necessariamente nesta ordem. Vivia com sua máquina a tiracolo, e todos eram alvos fáceis de seus flashes. Adorava pegar os desavisados e click, estava registrado para a eternidade. Com sorriso fácil e lindos olhos verdes, cativara a todos, sempre meiga e atenciosa, convencia qualquer um a virar modelo para suas lentes. Sonhara ser fotografa quando crescesse conhecer o mundo através de seus registros. Pessoas, paisagens, culturas tudo devidamente fotografado.

Sua outra paixão era sua coleção de canecas, de todos os tamanhos, desenhos e formatos. Sempre que alguém a visitara deixava uma de presente. Tinha canecas de vários países, cidades e algumas compradas em lojas, desde as mais chiques as mais simples e pintadas à mão por senhoras cegas do mosteiro da Virgem de Guadalupe. O que ninguém sabia é que ao invés de brincar com suas bonecas, Lau, como era chamada por todos, brincava com suas canecas, cuidava delas com todo amor e carinho. Nenhuma delas ficará sem nome, assim que chegara em casa, eram batizadas. Tinha a Rubi, a Celeste, a Orelha, a Carmen, a Romena, e assim por diante, cada uma com sua peculiaridade. Passava horas a conversar com elas, contar os seus segredos e fofocas eram confidentes. Por vezes chegaram a desconfiar que as canecas respondessem tamanha afinidade.

Todo dia pela manhã, quando Francisca colocava o café a mesa, a menina corria até a cozinha, abria a porta do armário e ficava alguns segundos a encará-las, até escolher a felizarda do dia, – “Bom dia, Margarida! Como passou a noite? Hoje vamos tomar aquele velho e delicioso café preparado pela Chica. Só assim para começar bem este dia frio, preciso de algo bem quente para me aquecer”. A doce Chica já estava acostumada, mas sempre sorrira com as conversas. Muitas vezes era obrigada a interagir com as canecas para agradar a menina.

Pedro, um dos garotos mais arteiros da rua, conseguiu uma façanha incrível. Ele morava quase em frente à casa de Laura, eram conhecidos, estudavam na mesma escola, mesma turma, mas nesta idade, meninos não se misturam com meninas. Apesar de sentirem uma pequena atração reprimida. Mas isso é motivo de vergonha e ninguém comentava o assunto. Ambos ficavam vermelhos quando se pronunciará o nome do outro em tom de brincadeira pelos mais velhos. Mas voltando ao serelepe Pedro. Em um dia em plenas férias, Laura convidou os colegas de sala para um piquenique em sua casa. Chica preparou quitutes deliciosos, suco de manga, goiaba, lanches, biscoitos, tudo para a alegria da criançada. Durante a tarde a molecada brincou de esconde-esconde, fez guerra de bexigas d’água, queimada e taco. Laura registrava tudo com uma rapidez em sua pequena máquina fotográfica, não perdia um lance. Foi jogando taco que Pedro estraçalhou o pequeno coraçãozinho de Laura. Uma bolada certeira, desferida com força, quebrou a vidraça da cozinha e acertou bem em cheio a caneca favorita de Lau. Silêncio geral, o barulho da porcelana caindo no chão foi ecoado pela casa. A pequena menina correu para a cozinha em prantos. Ganhara a caneca de sua avó Adelaide, tinha um carinho enorme por ela. Quando estava com saudades passava dias usando-a, conversando com ela. A avó falecera a pouco tempo, deixando um vazio que não fora preenchido na pequena criança.

No batente da porta todos olhavam a cena. Laura sentou no chão e entre cacos e soluços começou a recolher a bagunça. Todos foram embora sem se despedir, um a um cabisbaixos retornaram para suas casas. Mas Chica sentiu falta de um. Pedro. Procurou pela casa, mas não encontrou o garoto. Eis que a campainha toca e o menino entra ofegante pela cozinha carregando um embrulho nas mãos. Senta ao lado de Laura que nada diz. Ele entrega o pacote feito às pressas e entrega para a menina. “– Desculpe ter quebrado sua caneca favorita. Aqui está meu copo do Super-Homem, sei que não é a mesma coisa. Mas é o meu favorito. E agora ele te pertence”.

Pedro vai embora, com um sentimento estranho no peito. Mesmo sentimento que Laura passa a sentir. Um carinho mútuo floresce em meio aquela pequena tragédia infantil.

 

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Não gosto de Super-Herói!

 

Não gosto de super-heróis. Isso é fato. Nunca gostei de HQ’s, nem desenhos, muito menos jogos de vídeo-game, agora essa febre por filmes de heróis me irrita um tanto quanto. Quarteto Fantástico, Thor, Capitão América, daqui a pouco até o Homem-Codorna ganhará um filme. Devo ter assistido ao primeiro do Homem-Aranha, algum do Super-Homem, e o Batman só para ver a atuação do Heath Ledger.

Qual a graça de ver alguém salvar o planeta, que não seja você? Idolatrar o cinturão cheio de traquitanas de um cara vestido de freira? Ou pior, usar a cueca por cima da calça? O pior é o povo que gosta daqueles heróis do segundo-escalão, tipo Lanterna Verde, Homem de Ferro e tantos outros, estou falando apenas de um pequeno universo desses heróis. Se você for a uma feira de cosplays verá o quão farto e diversificado é esse universo, para não dizer babaca. Tem coisa mais cretina que você sair da sua casa, e ir para um lugar vestido de Ash (Pokemón) que não seja uma festa a fantasia?

Acho divertido ter super-poderes, se pudesse, gostaria de ter apenas um. Voar. Apenas para sentir o gosto da liberdade. Explorar cada canto do planeta, cada por do sol, cada cidade com suas luzes ao anoitecer. Ver o mundo de um ângulo que só os pássaros podem ver. Cruzar os oceanos, subir além das nuvens. Poder subir no prédio mais alto e se jogar sem se esborrachar lá embaixo. Poder e Liberdade, duas coisas que jamais se entenderão. Quero as duas.

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