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O Homem e sua sombra!

 

Ele acordou. Sentou a pé da cama como fazia todos os dias.

Se espreguiçou e acariciou o cachorro que dormia no velho tapete do quarto.

Sentiu algo estranho, não soube dizer o que era. Tinha o pressentimento que faltava algo ali.

Percorreu os olhos pelo cômodo, mas tudo estava em aparente ordem na desordem da bagunça do seu quarto.

Após o banho rápido, um gole de café e um pão com manteiga.

Mas mantinha a sensação de que algo estava fora do lugar.

Olhou os pés, estava usando meias. Continuou subindo e também checou o cinto.

Todos os botões da camisa estavam ali.

O relógio no pulso esquerdo e as chaves no bolso direito também estavam em ordem.

Então o que faltava?

O dia estava lindo e lá fora o sol brilhava intensamente.

A rua cheia e o trânsito não incomodaram tanto quanto aquilo que lhe faltava.

Por diversas vezes parou diante de vitrines só para ver o próprio reflexo e conferir o visual.

E travou uma luta solitária consigo próprio. E saiu derrotado por diversos rounds.

Não sabia explicar aquela sensação, mas percebeu que durante o dia ele foi apenas uma pessoa.

Sem sorrisos nem tristezas. Quase sem sentimentos. Não se comoveu nem empolgou com nada que tenha acontecido.

Apenas viveu.

Quando cruzou a esquina de casa, ela estava encostada embaixo de um poste.

Percebeu a sua silhueta desenhada e enfim sorriu.

O peito se encheu de estranho contentamento.

Teve vontade de correr e abraça-la. Mas não poderia fazer aquilo.

Apenas se aproximou, e de mansinho seus pés foram se unindo.

Primeiro o direito, depois o esquerdo.

E por toda a rua, debaixo das luzes, foram bailando, uma canção sem som.

Ele e sua sombra.

 

 

 

 

 

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