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Nhoque da Fortuna

Hoje o dia começou animado aqui na repartição. Tudo por conta do dia 29 de fevereiro, dia de São Pantaleão. Segundo a lenda, o Santo vestiu-se de andarilho e, ao entrar em uma casa de uma família muito pobre, foi oferecido a ele um prato de nhoque. Mas era tão pouco que foi dividido, resultando em sete nhoques para cada pessoa. Depois de comer, o santo foi embora . Quando a anfitriã retornou, encontrou uma fortuna debaixo da mesa.

Portanto, hoje é dia de comer o Nhoque da Fortuna! Pelo que me explicaram, você tem que comer os sete primeiros nhoques fazendo um pedido para cada. Depois pode saborear o restante. Porém, antes de se iniciar a comilança, é preciso colocar uma nota de qualquer valor embaixo do prato.

Mas, assim como no ano novo, acredito que para a simpatia dar certo temos que fazer uma boa oferenda. Explico. Na virada do ano todo mundo joga flores, sabonetes, perfumes e champagne para Iemanjá. Já repararam que no dia seguinte a praia está uma sujeira só? É claro, ela recusou todos aqueles presentes. Não vai achando que é só ir até a Praia Grande, comprar uma Sidra Ceresér, um sabonete qualquer e uma Alfazema que vai conseguir ter aquele emprego que sonhou ganhar na mega-sena e trazer a pessoa amada de volta. Com o Nhoque da Fortuna é a mesma coisa. Quer ficar rico? Coloca uma nota de 100 Euros embaixo do prato. Ou você acha que colocando dois reais embaixo do prato, São Pantaleão vai perder o tempo dele atendendo seus pedidos?

 Eu já saquei uma onça e vou deixar ali bonitinha… Vai que funciona!

O verão NÃO é para você!

Na sua casa tem ar condicional central ou ao menos no seu quarto? Você pode ir para qualquer praia do Caribe ou do Nordeste brasileiro quando sentir vontade? Se a sua resposta foi não para as duas questões acima, sinto-lhe informar, mas o Verão não te pertence, meu caro.

O Verão é a estação dos ricos, milionários, bilionários, zilhardários ou o que seja que há essa hora estão a bordo de seus iates luxuosos atracados na Bahamas ou Jamaica, cercados por lindas mulheres fazendo topless e tomando prosseco, ou em qualquer beach club no litoral catarinense aproveitando o sol escaldante, enquanto você está dentro desta roupa insuportavelmente quente, em um escritório que parece a filial do inferno de tão abafado, sonhando com uma cerveja gelada na Praia Grande.

Não me venha com aquela história de que no verão todos acordam mais dispostos, estão todos mais felizes e que gostaria que fizesse sol o ano todo. Isso é mentira. Eu duvido que você sustente esse pensamento quando chega à estação Sé, e tem que entrar em um vagão que mais se parece uma lata de sardinha. Encarar uma viagem de duas horas e um ônibus lotado, onde você sai mais amarrotado do que roupa que acabou de sair da máquina de lavar. Ou então quando você precisa andar na hora do almoço para comer aquele bandejão e corre para se refrescar com uma casquinha do McDonald’s. Toda noite é o mesmo parto, você abre todas as janelas da sua casa, liga o ventilador e fica fritando na cama, afinal de contas você não tem ar condicionado, e mesmo que tiver, terá que gastar todo o seu salário para pagar a conta de luz.

Odeio aquela ladainha quase mantra que todo proletariado repete, “como eu gostaria de estar em uma praia agora”. Eu também gostaria de tanta coisa e nem por isso fico repetindo em voz alta para que aconteça. Acho que as pessoas pensam que se repetir isso três vezes em voz alta irá acontecer. O mais próximo que você chegará de uma praia é o Sesc Itaquera e olhe lá.

Portanto peço encarecidamente que não fique me torrando a paciência com assuntos ou comentários como esse. Isso deixará o meu verão senegalês menos insuportável.

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