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Thiago! Por cinco minutos não foi Nathalia!

 

Nathalia. Esse seria meu nome se tivesse ficado mais cinco minutos na barriga da minha mãe. Agradeço ao médico por ter me tirado antes. Não pelo nome, que acho lindo, afinal é o nome da minha irmã, mas pelo fato de não ter nascido mulher. Não que eu não goste das mulheres, calma irei explicar tudo ou quase tudo.

Sempre fui um garoto normal, desde que tenho consciência disso, jogava bola na rua, empinava pipa, bolinha de gude, bater bafo então era craque. Durante o primário, a brincadeira mais divertida era irritar as meninas. Uma forma pré-histórica de chamar a atenção do sexo oposto, que se perpetua por séculos e séculos. Você vai até o alvo, geralmente aquela menina que no fundo você guarda uma paixão, e puxa o cabelo dela, com sorte, ela irá correr atrás de você. Digo sorte, porque se ela não estiver dando a mínima para o que você faz, ela simplesmente torcerá o nariz e não dará um passo na sua direção.

Continuamos. Sempre tive hábitos e gostos de menino. Aqui cabe um parêntese (Isto não é uma carta aberta, para me justificar, explicar ou qualquer coisa assim) Mas ao adentrar a vida adulta, percebo que gosto de muitas coisas, que os homens “normais” não se interessam. Explico. Sou corintiano do tipo maloqueiro e sofredor. Que fica xingando o bandeirinha no alambrado de tudo quanto é nome, entro no meio do porópópó, na saída do estádio devoro aquele lanche suculento de pernil com muita salmonela. Mas não perco um São Paulo Fashion Week, gosto de saber o que é tendência, o que deixou de ser usado, gosto de me vestir bem, e procuro saber tudo a respeito. Sim isso é um gosto peculiar você pode estar pensando, mas também gosto de espetáculos de dança, teatro, e qualquer tipo de apresentação que use o corpo para se expressar. Já até pensei em me matricular em aulas de dança. Mas nada de dança de salão, ballet contemporâneo ou jazz, talvez sapateado. Isso é apenas um exemplo. Posso passar horas aqui falando sobre o que gosto e o que não gosto, andar em shoppings e ver vitrines, receber e-mails de promoções e liquidações das marcas que gosto de usar e assim eu divago.

Tudo isso me fez e faz admirar ainda mais as mulheres, entender um pouco da alma feminina me deixa na vantagem de não as enxergar como um número ou um pedaço de carne que está prestes a ser devorado e os restos jogados no lixo, como muitos homens fazem. Talvez por ter sido criado em uma casa onde as mulheres mandam, acabei sendo influenciado por isso. Mas gosto da maneira como as mulheres mandam, governam e direcionam a vida. São fortes, decididas, mesmo que no seu intimo sejam frágeis, corações feito barras de manteiga derretida, mas não titubeiam, não arredam o pé em uma briga, mesmo que depois desabem em lágrimas.

Aprender um pouco com elas, talvez tenha me feito assim, da forma como sou, sempre tive muitas amigas e por ouvi-las demais, me permitiu esse aprendizado, que hoje está aflorado e que por muito tempo ficou guardado dentro de mim por vergonha. Mas agora, as vésperas das minhas bodas de prata, decidi ser o que realmente sou. Sem medo, sem vergonha, sem máscaras. O mundo precisa de pessoas assim como eu, que lutem de cara limpa, que vão à guerra com as armas que possuem. Como diria Rui Barbosa “Maior que a tristeza de não haver vencido, é a vergonha de não ter lutado”.

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