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A Despedida dos Tamanduá

 

Esse período “pré-aniversaresco” está me fazendo mal. É uma melancolia danada, pode se notar pelos últimos post. Talvez o ano contribua para isso, afinal fará 25 anos que a Terra está girando desde que sai do ventre de minha mãe. ¼ de século, bodas de prata. Estou neste período de relembrar o que já passou tirar algumas conclusões, bate aquela saudade nostálgica. Não gostaria de voltar atrás em nada, o que está feito, feito ficará, também não gostaria de ser criança novamente, muito menos adolescente com a pouca experiência que tenho hoje, como muitos dizem por ai – “Há como eu gostaria de ter a sua idade com a experiência que tenho hoje”.

O bom da vida é justamente esse, o “seguir em frente”, acumular experiências e histórias para se contar, afinal de contas elas nos acompanharão quando nosso coração já não mais bater. Toda essa introdução para contar um fato que marcou a minha vida, nem triste, nem engraçado, apenas um acontecimento. Todos os envolvidos se recordarão daquela noite. (Calma! Não atropelamos ninguém a noite na estrada, guardamos o corpo no porta-malas e desovamos em um rio. Não que nunca tenhamos pensado nesta idéia), (Brincadeira Mãe). Talvez a memória me traia, mas a idéia geral é o que importa. Vamos a ela:

 

O ano era 2003, um longínquo e frio oitavo mês daquele ano de 2003, Agosto. As férias escolares estavam acabando e a já quase acabada Turma dos Tamanduá* seguira o mesmo ritmo. Abertamente ninguém falara sobre o assunto, mas os encontros antes diários tornaram se escassos e isolados, alguns membros já não se falavam ou pouco se encontravam pelas ruas da pacata cidade. Mas todos sentiam que a euforia hora tomada por aquela nova amizade estava passando, foi desgastada com o término dos namoros de alguns integrantes e o processo de afastamento seguia o fluxo natural. Os amigos voltaram ao seu posto antigo, situado nos bancos da Praça da Matriz. Já as meninas voltaram a se encontrar apenas entre elas. Mas alguns laços ainda mantinham se de pé, e naquelas férias tudo ocorrerá de uma forma mágica posso dizer, e para fechar aquele ciclo decidiu-se então fazer uma festa. A “Despedida das férias”.

Sempre muito festeiros nós meninos tratamos de arrumar tudo, alugarmos uma casa com salão enorme perto do centro da cidade. Locarmos o som, iluminação, bebidas e tudo mais. Convites impressos era hora de correr as ruas para vendê-los para assim, fechar o mês em grande estilo.

Um dia antes do evento, nenhum convite vendido, quase ninguém na turma trabalhara, e o fantasma do prejuízo rondara os amigos. O dinheiro que possuíam mal dava para pagar o aluguel da casa, ainda faltava muita coisa, mas não se sabe ao certo como aconteceu, no final daquela tarde de sexta-feira, as pessoas começaram a chegar a Praça e comprar convites. Lembro-me até hoje, custava Sete reais, que festa se faz hoje em dia cobrando Sete reais? Detalhe era Open-Bar. E todos os cinqüenta convites que precisávamos vender foram negociados naquele começo de noite.

Euforia e excitação tomaram conta de todos. No sábado pela manhã já estávamos a postos para armar o circo e fazer a festa. A correria foi grande, lembro-me de ter tido apenas tempo de ir para casa tomar uma ducha, trocar de roupa, e voltar.

Estavam todos lá presentes. Como nos velhos tempos, mesmo sem o tradicional laranja das camisetas, cada Tamanduá já tinha a sua marca tatuada na alma, carregara para sempre aquele tempo divertido, aqueles quase 1 ano em que passaram noites e noites pelas ruas, casas e festas naquela linda cidade.

A “Despedida de Férias” foi perfeita, todos se divertiram, dançaram, riram, curtiram cada segundo, os amigos dos amigos presentes, uma confraternização única. Até hoje acredito que o ciclo tenha se fechado ali. Depois cada um foi para o seu lado, o que sobrou foram às lembranças daquela que talvez tenha sido a também Despedida dos Tamanduá.

 

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