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Reflexões Em Um Estádio de Futebol!

Estádio de futebol. Lugar de celebração, festa, alegria. Emoções que transbordam antes da bola rolar. Ontem fui pego de surpresa por uma amiga que não poderia ir ao jogo do Corinthians e me presentou com o seu ingresso.

Lá fui eu rumo ao Pacaembu, que por tantas vezes estive, sempre acompanhado por meu pai, ou amigos, iria desta vez encara-lo sozinho. Já fiz isso algumas vezes, mas ontem, o jogo acabou se tornando secundário. Passei a prestar atenção em cada reação minha durante a partida. Cada vez que comemorei um gol, os aplausos, as vezes que cantei com a torcida, as vezes que falei sozinho, que sorri, que olhei ao redor para me encontrar na multidão. E eu estava lá. Não estava só, não era único que estava assistindo ao jogo sozinho. Cada um com seus motivos, mas sem máscaras, os sentimentos se afloram, e naquele momento você se torna indivíduo no meio da massa. Você não faz mais parte dela.

É engraçado, pois a grande maioria está acompanhada, então não se permite exteriorizar os sentimentos, por medo, vergonha ou qualquer outra coisa que irá sentir de quem o acompanha. Mas quando se está só isso não existe. O momento é de total reflexão e comunhão com aquele acontecimento. Nào importa o resultado da partida, mas sim como aquele acontecimento poderá mudar a sua vida.

Hoje acordei feliz, não pela vitória, mas pela conquista de mais um tijolo na construção de mim mesmo.

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O dia em que perdi meu Herói!

 

Lembro-me como se fosse hoje. Estava dormindo na cama dos meus pais, não me lembro por qual motivo, mas deve ter sido um pesadelo. Ou então eles já fizeram isso de caso pensado, afinal minha irmã também estava dormindo lá. Era sábado, um lindo dia de sábado, sempre íamos a feira com ele comer pastel e tomar garapa, mas neste dia ficamos dormindo. Meu pai e minha mãe retornam com as compras e nos acordam, mas na voz deles, um tom estranho. Algo estranho acontecia naquela casa há algum tempo, mas eu não conseguia identificar o que era. Eis que a noticia veio. Eles estavam se separando. Não entendi nada, no auge dos meus 10 anos, minha mãe me abraçava e chorava, dizendo entre um sorriso e um soluço que agora eu seria o homem da casa. Teria que cuidar dela e da minha irmã. Mas espera como assim meu pai iria embora? Justo ele, meu herói, meu Super-pai. Não poderia ir assim, sair e nunca mais voltar.

Sempre tive uma admiração enorme por ele, desde que me conheço por gente, sempre tiver orgulho. Quando íamos até a empresa em que ele trabalhava, apenas para buscá-lo no final de mais um expediente, lá vinha ele com um sorriso nos lábios e nem deixávamos entrar no carro direito e o bombardeávamos de histórias e perguntas, contava a ele tudo que tinha acontecido durante o dia. Ou então quando ele chegava em casa cansado, mas mesmo assim disputava intermináveis partidas de futebol de botão comigo. Fazíamos campeonatos, e claro, ele sempre me deixava ganhar. Eu achava o máximo, dividíamos os times, sempre por igual, mas eu escolhia a melhor palheta e o melhor goleiro, e nem reclamar ele reclamava, tudo para me deixar feliz. Depois dos jogos íamos a locadora alugar algum jogo de vídeo-game. Eu tinha um Nintendinho 8-bits, e mesmo assim ele ficava lá jogando comigo o dia todo. Ele me comprava figurinhas, sorvetes, me levava para andar de bicicleta. Ensinou-me a torcer pelo Corinthians, quando comecei a ler, eu pegava a parte de esportes e lia todas as noticias, ligava para ele durante o dia apenas para contar. Claro que ele já deveria ter lido o jornal pela manhã, mas mesmo assim ouvia atentamente tudo que eu tinha para falar e ainda dava as suas opiniões.

Agora ele estava lá de pé, em frente à porta, com duas malas, todas as suas coisas, eu não entendia nada daquilo, não me lembro de chorar, parecia que ele iria voltar a qualquer momento. Mas ele nunca mais voltou. Minha irmã e minha mãe sentiram bastante a partida dele, mas a “minha ficha” só foi cair depois, com o passar dos anos. Na medida em que fui crescendo, fui entendendo todos os problemas e o desfecho desta história. As lágrimas delas já tinham secado, mas as minhas começaram a brotar. Passamos um período muito turbulento, ele ficou um ano sem dar noticias, sem ligar para saber se estávamos vivos, depois tivemos que cumprir aquela coisa chata de passar o fim de semana com ele a cada 15 dias. Não tínhamos vontade nenhuma, afinal de contas ele ficou sem dar noticias, porque agora queria nos ver. Imagine no auge da pré-aborrecencia, me tornei um rebelde sem causa, e por algum tempo passei a odia-lo.

Mas ele descobriu um problema no coração e teve que passar por uma cirurgia delicada, um procedimento revolucionário para a época, e os riscos dele sobreviver eram mínimas. Toda aquela raiva passou, quando soube da noticia, afinal eu poderia perder o meu herói para sempre, e esse pensamento me fez perder o sono por alguns dias. Eu já tinha 14 anos e a barra pesava ainda mais, pois minha mãe se desdobrava para sustentar a mim e minha irmã, tinha que protegê-las do pior. Sorte que nada de ruim aconteceu, a cirurgia foi um sucesso, e voltei a admirar a fibra do meu pai.

Quando fiz 18 anos, tomei uma decisão importante, iria voltar a morar com ele. Tinha que fazer faculdade e trabalhar, aprender a ser gente. Então começamos a dividir um apartamento. Por muito tempo parecíamos dois estranhos, mal nos falávamos, só o essencial e assuntos do cotidiano. Voltamos a freqüentar o Pacaembu juntos, ver a nossa paixão, o Corinthians. E isso foi nos reaproximando, restabelecendo os laços entre pai e filho que tinham se rompido. Hoje somos dois amigos, e todo o passado ficou enterrado. Agora só vivemos o presente e planejamos juntos, um futuro tranqüilo, com respeito e admiração mútua.

 

Meio surto, meio devaneio para viagem, por favor!

Desde pequeno sempre tive acesso a jornais, livros e revistas. Quando aprendi a ler, aos 6 anos já pegava o jornal para ler os quadrinhos, depois as noticias do Corinthians, e com 10 já lia até a parte de economia. Minha mãe, professora de português, nos trazia diversos livros que ela ganhava das editoras, como os da coleção Vagalume, por exemplo. Desde então ler passou a ser um hobbie divertido, e isso facilita o modo como nós nos expressamos, conversamos com as pessoas e escrevemos.

Hoje em dia, o brasileiro lê mais, estuda mais, mas continua falando e escrevendo mal e errado. Mas o problema não é apenas esse. Acaba por refletir na educação, na civilidade, nos modos e na vida em geral. Nos livros temos exemplos de tudo isso, e cabe a nós colocarmos em prática o que aprendemos.

Quantas vezes “entramos de cabeça” na história, e devoramos o livro em um piscar de olhos. Essa prática é ótima, exercita o nosso cérebro, conseguimos absorver conhecimento e desenvolver uma habilidade muitas vezes esquecida pelos adultos, a de criar fantasias. As pessoas vivem atarefadas, correndo para cima e para baixo, com um alto nível de stress. Algumas ainda conseguem quebrar esta rotina, praticando algum esporte, cuidando do corpo. Mas acabam por não cuidar da mente. Já dizia um filósofo grego que o nome não me recordo, ” Corpo sano, mente sana”. E não é só atravez das palavras-cruzadas, sudokus e afins que malhamos os neurônios, precisamos inventar histórias, criar personagens, enredos, tal qual um livro. Olhem as crianças, fazem isso como ninguem, com coisas simples inventam histórias, brincadeiras lúdicas e belas. Temos que levar isso ao nosso dia-a-dia, como exemplo, para melhorar o modo como vivemos, deixar o lado truculento de não dizer um “bom dia” quando se entra no elevador, e abrir um sorriso para o mundo. Como atitudes e não palavras podemos fazer a nossa parte. Muitas vezes um “com licença”,” muito obrigado” pode desarmar um “inimigo”.

Faço este convite. Tente, insista, vamos deixar este mundo cinza um pouco mais alegre e melhor para se viver. Vamos fazer a nossa parte. Sejamos crianças mais uma vez.

 
 
 
 

Terceiro Surto – Frustração

 
 
 
           Frustração…. esse é o sentimento, depois de mais uma eliminação. Depois do apito final, eu não senti vontade de chorar, eu não senti raiva, não senti vontade de nada, fique estagnado na frente da tv, querendo não acreditar naquilo que as minhas retinas acabaram de registrar. Fogos espocavam pelo céu, gritos dos torcedores adversários quebravam o silêncio da noite, e minha mente processava tudo aquilo que acabara de acontecer. Tal devaneio foi interrompido quando o celular tocou, era minha mãe, sabia que eu estava em casa, mas quis se certificar, afinal de contas ela sabe do meu fanatismo, depois de alguns minutos de conversa, ela solta aquela frase arrebatadora, que irrompe o céu como uma bomba provocando uma hecatombe ” não ligue para isso, é apenas mais um jogo”. Aquilo faz com que meu estomago queria ser regurgitado, a cabeça explode, mas tenho que engolir aquela frase espinhosa, afinal de contas é a minha mãe, e não posso dar uma resposta qualquer, um “está bem, eu estou tranquilo” já é o suficiente para acalma-la. Desligo o telefone, e o celular toca, desta vez é a namorada, e as mesmas perguntas se repetem ” tem certeza que você está bem?” ” não esquenta a cabeça, eles agora estão todos juntos jantando em uma churrascaria, e você ae sem sono, tendo que acordar cedo amanhã para trabalhar, e pagar suas contas” ” o Corinthians não te sustenta” E por um minuto, você quase joga seu relacionamento para os ares. Mas a cabeça está em outro plano, você sabe que todas aquelas frases são verdadeiras, mas não quer entender, é como saber que um ente querido partiu dessas para melhor, mas você não se conforma.
           As mulheres JAMAIS entenderão este sentimento que assola o universo masculino, futebol para mim é religião sim, sou ogro e tenho isso em mente sim, “mulheres se tem aos montes, mas o Corinthians é ÚNICO”. E tenho a certeza que torcedores de outros times pensam como eu, quando a pelota rola, a coisa mais importante são aqueles onze guerreiros em um campo de batalha, que defendem as cores de seu time, como defendessem um império da invasão napoleônica, a dor de um gol tomado é como uma lança perfurando o nosso peito, e se este gol for motivo para uma eliminação de campeonato então, a cicatriz ficará na pele para sempre. Futebol puro e genuino é assim, nada de bussines ou contratos milionários, é aquele que se disputa com raça, com amor, seja no Camp Nou, ou na Javari, o objetivo tem que ser único, o GOL. O futebol hoje está todo distorcido, por vários motivos, mas o sentimento do torcedor, continua sendo um só, e isso deve ser levado em conta. O time que respeitar a opinião e entender o amor de sua torcida pelo time, já começa qualquer jogo ganhando de 1×0.
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