Arquivo mensal: maio 2011

Buquê de Bola de Sabão

Irei entregar-lhe um buquê de bolas de sabão,

Para que possamos brincar de “mal-me-quer”,

Passar a vida como crianças, dançando de pijamas,

Pulando em cima das camas.

Como adultos, dormiremos abraçados,

E quando ela partir, seu cheiro ficará em meu travesseiro,

Para que em todas as noites, me faça companhia,

Até chegar o dia em que poderei tê-la só para mim.

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Cheiros e Sensações!

Em alguma vida passada eu devo ter sido um cachorro. Não no sentido da canalhice, mas no ato de “farejar” as coisas. Através dos cheiros, me recordo de amigos, familiares, amores, lugares, sensações que vivi ou presenciei. Muitas pessoas se recordam através de imagens, músicas, ou qualquer outra coisa. Isso também acontece comigo, mas na maioria das vezes é pelo olfato que me recordo de algum acontecimento.

As vezes isso é muito bom, sentir o perfume da pessoa que gosta passando por você em algum lugar, ou então o cheiro delicioso dos bolinhos de chuva da vovó, o asfalto molhado e as brincadeiras na rua enquanto caia aquela chuva de verão, até o cheiro do mofo me faz lembrar das férias na casa da praia, que passava o ano todo fechada e só era aberta no final do ano, quando a família se reunia para passar o verão.

Mas alguns cheiros não me trazem boas recordações, não sei porque, chego a sentir uma certa melancolia. Sempre chego em casa por volta do horário do jantar, e aquele cheiro de comida requentada pelos corredores do prédio me trás uma sensação de que a vida está estagnada, afinal sinto aquilo todos os dias, e foi assim durante anos e assim sempre será. Olho pela janela e vejo centenas de prédios pela cidade, todos com o mesmo cheiro peculiar. Penso no pai de família que chega em casa cansado, com todos os seus problemas, contas para pagar, filhos para cuidar, que no fundo sonha em ter uma vida melhor. Na senhora aposentada que se esforça para sobreviver com a misera aposentadoria que recebe do governo, e que faz mágica para ter um prato de comida na mesa. Penso em mim que está começando a vida agora cheio de ideias, desejos, sonhos e que não quer ser como o pai de família que chega em casa cansado, com contas a pagar, filhos para cuidar, muito menos ser um aposentado que tem que se esforçar para sobreviver com o pouco que ganha do governo, e penso em mim que está começando a vida. E fico nesta viagem por horas e horas, até um novo cheiro me despertar.

Mais Uma Dessas Histórias do Coração! – Parte II

– Boa noite, eu gostaria de fazer um pedido? – Ele disse, sem perceber quem estava do outro lado da linha – Gostaria de falar com quem? Ela indagou-o. – Mas da onde fala? Não é da pizzaria? – Ele confuso procura o papel que está em suas mãos, e mudo ficou quando nota o telefone da menina da livraria. – Me descul… – Sua fala foi interrompida por ela. – Olha eu pensei que você fosse um homem de verdade para me ligar e convidar para jantar, não um garoto que decide passar trote para os outros. – Assim ela disparou sem pausa para respirar. Sem deixar por menos ele retrucou em cima: – Pois bem, que horas passo para te pegar? – Agora foi a vez dela perder a voz, mas sem perder a arrogância responde com a voz um pouco trêmula: – As nove estarei pronta, então corra porque você tem apenas 45 minutos para cruzar a cidade. Eu não tolero atrasos.

Ele desligou o telefone, pensou durante cinco segundos o que acabara de acontecer, como estava com fome e não tinha compromissos para aquela noite, a não ser a tevê e o sofá, decidiu cometer este ato de loucura. Enquanto colocava a primeira calça que encontrara pela frente, balançava a cabeça reprovando a atitude, mas um sorriso no lábio o convidara ao desafio. Vestiu uma camisa clara com listras e um paletó apenas para ser formal e elegante, sabia que a moça era fina e com certeza iriam para algum lugar caro. Mas quem se importa? Uma loucura de vez em quando no faz mal a ninguém – pensou o já preocupado rapaz.

Enquanto dirigia ligou mais uma vez para ela, dessa vez se identificando, para pegar o endereço: – Oi, sou eu, preciso saber onde você mora. Afinal de contas eu já estou atrasado e você não irá me esperar. Não é isso?. – Nossa que bom, pensei que iria tocar campainha por campainha da cidade para saber qual delas é a minha casa? – diz uma voz não menos arrogante daquela garota metida – Aquilo o irritara profundamente, mas algo naquela voz o seduzira, talvez o jeito com que ela o tratava, ou apenas o desafio de conquistar mais uma mulher.

Com exatamente quatro minutos de atraso, ele vira a ultima esquina antes de chegar a casa dela. Um bairro chique onde a maioria das residências possuía seguranças vestidos de preto, câmeras que filmavam no escuro e todo aparato técnilógico possível para impedir um assalto. Enquanto ele observara isso, se lembrou do “seu Vergilio” com aquela velha camisa azul clara surrada, porteiro do prédio onde mora, o único que garante a “segurança” dos moradores. Mas por incrível que pareça na casa dela não existia cães de guarda em frente. Apenas uma câmera e o interfone, de onde ele se identificou e aguardou por quase dez minutos. Foi o tempo dele acender um cigarro, e fumar calmamente observando o pouco movimento daquela rua. O portão menor se abre, e ela caminha deslumbrante em sua direção, trajando um vestido estampado, com os cabelos soltos e brincos de argola. Nem parecera a mesma mulher que falara com ele ao telefone. Por alguns instantes ele apenas a observou, até que ela o tirou do transe: – Oi, vamos logo que eu estou com fome, afinal de contas, eu estava me preparando para jantar quando você me ligou. – E entrou no carro dele.

Atônito, ele processava a cena que acabara de ocorrer, quando ela apertou a buzina do carro: – Quero chegar para o jantar e não para o café da manhã. Vamos logo criatura. – Ele entrou no carro e partiram.

(Continua)

Caminhar com as próprias pernas!

Caminhar com as próprias pernas, algo que sempre busquei, demorei, talvez não tenha conseguido ainda, mas pretendo em breve arriscar meus primeiros passos. Cada um sabe a sua hora, ou imagina que seja a hora. Pode acontecer de se arrepender e voltar para trás, para o porto seguro. Ou então continuar a deriva enfrentando as tormentas da vida, mas o importante é não desistir. Jamais se entregar a sorte, importante é tê-la como companheira, mas jamais deixá-la nos guiar.

Os primeiros podem ter sido tímidos, outros podem ter sido grandes demais e podemos ter caído pelo caminho. Mas não podemos ficar sentado nos lamento o acidente, é pegar a velha música “ levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. Assim venceremos mais um obstáculo na vida.

Escrevi esse texto, para mim mesmo, pois todos os pedregulhos que enfrento na vida, transformo-os em montanhas do tamanho do Everest, e ao invés de encará-las, procuro reclamar esperando que a providência Divina ou a dinamite a tire do meu caminho. E isso me mantem na inércia, com a vida estagnada. Temos que expandir, crescer, dar oportunidades para que coisas novas aconteçam em nossa vida. Trocar as velhas energias por novas, e assim poder alcançar nossos objetivos.

Abismo da Paixão

Ele chegou primeiro e sentou.

Ela sem demora logo apareceu, se entreolharam.

Em silêncio permaneceram, até que as mãos se procuraram.

Os dedos se entrelaçaram, e sem uma palavra trocar, se atiraram.

Uma velha placa ali perto, se podia ler: “Abismo da Paixão”.

Como chegariam lá embaixo ninguém jamais iria saber.

Mas naquele instante apenas o desejo, a presença, a cumplicidade guiava aquele jovem casal que despencava.

Dois corações cansados, que já caíram naquele vazio algumas vezes,

E lá embaixo se espatifaram.

Mas desta vez a certeza de que seria diferente os fez tomarem essa decisão.,

E juntos partiram mais uma vez para os desafios do coração.

Mais Uma Dessas Histórias do Coração!

Ela entrara na livraria apenas para comprar o presente do amigo-secreto, nunca pisara em uma na vida antes, também não tinha vontade de fazê-la novamente. Olhara com certo nojo e desdém para aquelas pessoas que procuravam livros nas prateleiras. Tenta puxar na memória qual foi o último que lera, mas nem isso conseguira se recordar. A caminho do caixa, se depara com um rapaz que chama sua atenção. – Como pode tão belo rosto, estar entretido com uma coisa tão chata como esses livros? – Pensara a bela garota. Bela e vazia garota. Que por hobby colecionará bolsas, sapatos e óculos, em sua enorme casa, um comodo fora destacado apenas para isso. Alguns ela nem usara, tinha prazer em gastar. Condição para isso possuía, já que era filha única de família abastada. Assim que terminara o colegial, decidira morar em Paris por um tempo afim de pensar em qual carreira gostaria de seguir, ou se seguiria a carreira da mãe, academia, shopping, eventos sociais e marido rico.

Caminhou em direção ao rapaz cobiçado e sem pestanejar, se atirou em seus braços, como se tivesse tropeçado em um objeto imaginário. Com um reflexo quase felino, o jovem a agarrou e os dois caíram no chão. O barulho fez com que outras pessoas ao redor parassem para olhar o que acabara de acontecer. Sem perder a pose e a petulância, se escorou no rapaz e apenas disse: – Está desculpado. E saiu pelo corredor deixando para trás a bagunça que acabara de causar.

Ele correu até a fila do caixa onde ela estava e com um puxão a fez rodopiar no ar e cair ao chão novamente. – Como assim você se joga em cima de mim e ainda sai sem se desculpar? – indagou o enfurecido homem. Ela abriu a bolsa, tirou um cartão com seu telefone, enquanto fazia o pagamento do livro e entregou a ele. – Nos vemos por ai, gatinho! E com uma piscadela e todo seu charme se foi. Aquela atitude intrigara mais ainda o jovem, que não esboçou reação alguma, apenas enfiou o cartão amassado no bolso.

Depois de um exaustivo dia no escritório, ele retornara ao apartamento recém alugado. Algumas caixas da mudança ainda não tinham sido abertas, apenas o velho sofá no canto da sala, e a cama estavam no lugar. Ligou a tevê para ouvir as noticias e se atirou no sofá para relaxar um pouco. Enquanto isso, em algum lugar da cidade, a jovem rica se arrumara para mais um jantar cheio de pompa e circunstância em algum salão nobre com a elite da sociedade a qual sempre frequentara. Entre vestidos, sapatos e colares caríssimos ela não conseguia pensar em outra coisa a não ser naquele olhar misterioso e enfurecido que avistara na livraria naquela tarde. – Quem era aquele garoto? Porque não tiro ele do pensamento? Nem seu nome eu sei. – Fora para o jantar pensando justamente nisso e entre flashes e champanhes ficara atenta ao celular, talvez ele pudesse telefonar, afinal de contas, ela entregara um cartão a ele, que com sorte não fora rasgado ou jogado fora.

Mas o cartão com o número ficou esquecido durante semanas, pois a calça ficou jogada em um canto da casa até que a faxineira fosse dar uma geral naquela bagunça. Entre copos sujos, livros encaixotados e roupas espalhadas o cartão caiu do bolso e foi deixado na porta da geladeira preso no imã da Bolívia que ganhara de um amigo que fora de férias para lá e trouxe essas bugigangas de lembrança para todos do escritório. Estranhou aquela limpeza e organização toda quando voltou do trabalho, nem parecia a mesma casa tamanho milagre que acontecerá no lugar. Por um instante desejou encontrar o apartamento assim sempre que chegasse todo dia, mas esse sonho não seria possível por causa de sua natureza masculina.

Após o banho decidiu pedir uma pizza, e nem notou que pegara o cartão errado, não era o da pizzaria e sim o telefone da “louca da livraria” e sem prestar atenção discou calmamente os números , e uma voz doce atendeu do outro lado: – Alô, quem fala?…

(Continua)

Pedro e Lucas

Pedro e Lucas eram vizinhos, do mesmo quintal. Lucas morava na casa grande, que ficava na frente do terreno. Dona Olivia sua mãe, criara ele e Roberto com muito mimo, pois o pai, um antigo militar morrera em um acidente durante um treinamento, deixando assim as crianças órfãs. A pensão que a Dona recebia supria todas as necessidades da família e ainda sobrava dinheiro para a poupança dos meninos, que ela mesmo fazia questão de falar para toda vizinhança do Bairro do Albonete.

Já Pedro, menino simples, dividira a cama com o irmão Luciano, nos fundos, no quarto e sala que seu pai conseguira alugar do ainda vivo tenente Almeida, pai de Lucas, conhecidos de longa data, Agenor pai de Pedro trabalhara no bar em frente ao quartel que o oficial prestara serviço. Toda sexta o tenente esticara para a sinuca e a cervejinha antes de ir para casa. Foi então que conheceu Agenor e se solidarizou com a história do pobre homem, semianalfabeto, recém-casado e com filho na barriga da esposa. Almeida alugara por um valor simbólico o antigo quarto da bagunça para a nova família. Até a morte do tenente as duas famílias sempre viveram muito bem. Pedro usara as roupas doadas por Olivia, que não serviam mais em Lucas, ou mesmo quando ela ia ao centro da cidade trazia presentes aos meninos, e tudo que fora usado, era repassado para os vizinhos de fundo.

As duas crianças cresceram juntas, brincando pela rua com os demais, sempre com a bola nova de Lucas, ou então o carrinho, os pipas. Pedro o tinha como um irmão, os moradores mais novos chegavam a confundi-los também, tamanha afinidade.

Todos na rua adoravam as novidades de Lucas, sempre viajara nas férias para a Santos ou Ribeirão Preto na casa dos avós, estava sempre com alguma coisa nova para exibir aos colegas. Foi o primeiro a ganhar uma bicicleta, o autorama também, desta forma estivera sempre cercado de companhias. Já Pedro não possui nada disso, mas ninguém podia deixar de notar o sorriso daquele menino. Estava sempre alegre, contente a brincar, nunca o viram chorar ou reclamar, muito pelo contrário, era sempre solidário e prestativo com todos, o ombro amigo. Dividira o pouco que tinha, sem se importar com quem fosse, ao contrário de Lucas, que sempre se mostrara egoísta.

Com o passar do tempo isso começara a incomodar o menino endinheirado, e assim ouve um racha na turma de amigos, os de Lucas, que se interessavam mais com seus pertences e outros que gostavam mais da lealdade de Pedro.

De grandes amigos na infância passaram a quase desconhecidos na adolescência, Lucas se incomodara demais com as amizades verdadeiras de Pedro, sempre vira o rapaz se divertindo com os amigos nas pequenas rodas de violão e fogueira quem organizavam, enquanto seus amigos só estavam interessados na nova TV a cores que Dona Olivia comprara para a casa. Para ajudar em casa Pedro começara a trabalhar e estudar a noite, enquanto Lucas dormia o dia todo e estudava a tarde. Tinha todo o tempo do mundo para namorar as meninas mais bonitas da escola e estar sempre cercado de puxa-sacos, enquanto na padaria da esquina Pedro ensacara os pãezinhos. Fazia questão de passar com as garotas na frente do antigo amigo apenas para provocá-lo e tentar entristecê-lo, mas para seu azar, as meninas sempre paravam para conversar com Pedro, que era sempre muito atencioso,fazendo o pobre rapaz rico espumar de raiva.

Pedro ganhou a confiança do dono da padaria, e assim fora promovido, passara a ganhar um pouco mais, e as coisas começaram a melhor na sua casa. Agora ao menos poderiam se dar ao luxo de ter uma teve preto e branca comprada em uma loja de móveis usados. O agora jovem rapaz conseguira até poupar algumas notas e sonhara um dia fazer uma faculdade, para alegria de seu pai, que ainda lavara copos no bar que conhecera Almeida. Mas o destino tratou de atrapalhar os planos da família. Luciano, filho mais novo, fora atropelado e precisou ficar um bom tempo no hospital até se recuperar. Quando voltou ao lar, teve que ficar de cama, obrigando Pedro a dormir em um colchonete surrado, emprestado por Dona Olivia que se solidarizara com o ocorrido.

Quando tudo parecera voltar a normalidade, fora o senhor Agenor que ficara doente. Devido as grandes maratonas de trabalho no boteco, acabara por desenvolver um problema de circulação nos membros inferiores, como diagnosticara Doutor Olivério, e estaria impossibilitado de exercer a função definitivamente. Então Pedro, agora um homem, apesar de seus vinte e dois anos, assumir a responsabilidade de sustentar a família. Apesar de todos os acontecimentos ruins que assolaram sua família, o rapaz jamais deixou de exibir o sorriso cativante, e fazer piadas, sabia que uma hora o sol iria brilhar para ele. E pensando desta maneira que se tornara o gerente do estabelecimento de Seu Malaquias. Que agora além da padaria, possuíra um açougue e um pequeno mercado com mantimentos e produtos de limpeza. Pedro era responsável por cuidar da entrada e saída dos funcionários, controlar o estoque e ajudar o dono a fechar o caixa no fim do dia.

Enquanto Lucas já cursara o terceiro ano de engenharia civil, o jovem Pedro se empenhara no árduo trabalho de todo dia.

Após anos sem trocar uma palavra pelo afastamento invejoso de Lucas, o destino tratou de colocá-los frente a frente novamente…

(Continua)

Um pouco de egoísmo. Um pouco de gentileza!

Há algum tempo venho observando o comportamento humano. Esse é um assunto que me interessa bastante. Por falta de tempo não pude pegar uma boa bibliografia para me aprofundar, mas está anotado no caderninho de “coisas para se fazer antes de morrer”, para quem sabe tentar entender melhor as pessoas que vivem ao meu redor.

O ser humano como ser pensante consegue moldar o seu caráter facilmente, principalmente quando se é influenciado pelo meio em que vive, isso pode ser notado através de acontecimentos recentes na nossa história.

Conversando recentemente com uma amiga da mesma idade que também se interessa pelo assunto, chegamos a conclusões não muito boas quanto ao comportamento apresentado hoje na sociedade. Onde o homem busca a qualquer custo alcançar o extremo, seja ele qual for, quer se tornar o mais rico, o mais popular, o mais “pegador”, até coisas menos nobres, como o mais bêbado, o mais drogado, o mais mau-caráter e assim segue, mas isso se torna um paradoxo, pois estamos cada vez mais solitários. Precisamos do auxilio dos outros para alcançar esses objetivos, mas nos vemos sozinhos quando lá chegamos. Como resposta para esse comportamento, podemos usar um infinito numero de porquês, mas quero abranger de uma forma superficial apenas um ponto nesta questão, talvez o menor de todos. O egoismo.

Em um contexto geral, desde que nascemos somos criados em sua maioria para suprir alguma frustração de nossos pais. Quem nunca ouviu alguém dizer, “ Eu não tive a oportunidade de aprender, mas quero que meu filho tenha”. Isso acaba por criar uma expectativa em cima de um indivíduo que acabou de nascer, seja para ele se tornar um médico renomado, um ponta-esquerda do time de coração, uma bailarina do teatro municipal ou uma poliglota acadêmica. Tais esperanças são despejadas todos os dias em lares pelo mundo todo, sobre crianças que mal sabem dar seus primeiros passos, e o espirito da competitividade começa a a habitar aquele pequeno ser. Na infância e adolescência isso é apenas reforçado, somos incentivamos para sermos os melhores alunos, os mais rápidos, os mais expertos, muitas vezes ganhando recompensas por esses esforços.

Na fase adulta e na qual passamos a maior parte da vida, tal comportamento se faz refletir nos ambientes de sociais, de trabalho e familiar. Pois é algo que já está enraizado dentro do ser, não nos importamos com nossos vizinhos, com a pessoa que está no carro ao lado no trânsito. Não damos passagem, não seguramos a porta do elevador para alguém que está chegando, não desejamos nem um bom dia, afinal de contas, “o meu precisa ser um bom dia, não o dos demais”. No mundo corporativo então nem se fale, a disputa por espaço é ainda pior, poucos laços de amizade são constituídos, ambientes cada vez mais estressantes e como brinde cada um ganha um problema de saúde grátis.

Está na hora de quebrar essa regra, temos que nos conscientizar que há espaço para todos neste mundão de Meu Deus. Acredito que com pequenos gestos podemos mudar o comportamento daqueles que nos cercam, com atitudes nobres. Não precisamos ser melhores que ninguém, precisamos estar apenas em paz com nós mesmos. Podemos todos caminhar lado a lado, sem precisar estar um a frente do outro. Está na hora de mudarmos, saber respeitar uma opinião contrária a nossa, mais que respeitar, é entender. Tornar a nossa casa, a nossa repartição, a nossa vida um lugar melhor para se morar.

Afinal de contas, como diz aquela estrofe de um velho poema “ Gentileza gera gentileza”.

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