Arquivo mensal: novembro 2010

Espelho

Às vezes paro e fico me encarando no espelho, não apenas o do banheiro, todo e qualquer espelho. Mas não fico contemplando meu reflexo, as vezes me perco nos pensamentos e esqueço que estou parado. O pensamento que mais ronda minha cabeça é que espelhos podem ser janelas para mundos paralelos, talvez nós, mortais, poderosos, senhores do universo, sortudos que nesta esquina do mundo desenvolvemos a vida e toda sua plenitude tecnologia, possamos estar dentro de um aquário, sendo observado por outros seres, superiores, ou inferiores ou tanto faz. A cada espelho, imagino quem possa estar do outro lado a me observar.  Portanto, cuidado com você faz na frente do espelho.

Novos ares.

Agora já não restava mais dúvida, estava decidido e nada o faria voltar atrás. Se resposabilizara por todas as decisões tomadas. Não se arrependerá, encarava aquilo como aprendizado, mas no fundo sabia que poderia ter feito melhor. Não se perdoará, e do vigésimo sétimo andar, olhava o infinito, o sol ao fundo caia alaranjado, de tão vibrante cor como já mais naqueles três anos de janela ele puderá reparar. Sentado no para-peito, sentia o vento lançar seu corpo para frente e para trás, como em um balanço. A agulha da
vitrola salta, e a faixa parece ter sido colocada por alguém. Se ouve ao fundo uma voz murmurar ” We’re sick for the big sun. We rumble and trip, trip, trip, trip, trip, trip, trip. I realize that too…”

E foi assim que partiu, sem deixar saudades, a não ser as velhas begônias naqueles vasos sem cor que decoravam a janela. Um vôo lindo, sem olhar para trás, a sensação de liberdade que tanto procurou durante sua vida, irrompera seu coração, foram quatro segundos em queda livre que poderiam ter sido quatrocentos, tamanha era a velocidade de seus pensamentos. A velha história que o filme da vida passará a sua frente era mesmo verdade, e pode sentir aquela saudade explodindo. Sentia falta daquilo que não via. E assim foi planou até posar suavemente em seu ninho. Estava de volta a sua modesta casa. Como voa calmo o passarinho.

Pobre Amaro.

Pobre Amaro, sozinho sem ninguém. Vive da esmola do sentimento de alguém, se encanta por qualquer sorriso, se perde em cada olhar, procura um porto seguro que nunca irá encontrar. Pobre Amaro. Sem rumo, procura o conforto de um colo, o chamego de um cafuné, o afago do abraço, o calor do beijo. Morre de desejo daquilo que nunca sentiu. Pobre Amaro! Solitário, bandido, espera um dia roubar aquilo que as pessoas chamam de paixão, que mora em um certo coração que Amaro não cansar de procurar. Pobre Amaro, sensato, deve seguir o trilho que o destino teimou em traçar. Nasceu ingênuo, cresceu sereno, deseja que um dia o cérebro pare de funcionar. Aquele que pulsa no peito quer assumir o timão da vida e sua caravela comandar. Pobre Amaro! Vestida de chita, flor na cabeça o corpo a bailar, assim cruza o rumo que Amaro iria tomar. Olhar cruzado, suspiro no ar, borboletas na barriga, sinos a tocar. Pobre Amaro. O Amor chegou e um dia o irá deixar. Segue seu rumo meu filho, você o tempo não pode esperar. Corra deste mal ele só quer te assolar. Pobre Amaro. Sempre sonhou um dia se entregar. Se jogar no abismo e nunca mais voltar. Naquele onde se atiram todos os dias os corações desavisados e que ao fundo se encontram juntando os cacos. Pobre Amaro. Sinuca de bico, o jogo a encerrar. Qual tacada irá arriscar?! Não quer mais o coração calar! Vai Amaro. Jogue o seu jogo, aquele destino que você traçou, irá se apagar. Mas aquele cobertor de orelha quentinho está na cama a te esperar.

 

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